quinta-feira, 27 de janeiro de 2011




o barbeiro, que aplicava a espuma de sabão às bochechas do engenheiro, parecia imerso em pensamentos. então, de súbito, não se conteve.
- e se vocês ficassem sem cara, já viram? - gritou à assembleia.
- oh, se eu tivesse uma cara como a tua... - respondeu um cliente.
a voz de bainbridge veio de um mar de espuma.
- estás a barafustar porque, se a moda de perder caras se tornasse popular, tinhas de abrir falência.


(stephen crane - o monstro, 1898)

4 comentários:

José Luís Espada Feio disse...

que grande fotografia, esta, a ilustrar a frieza da decadência. Neste caso, a da barbearia, mas pode bem servir como metáfora para outras bem mais gritantes, que nos cercam todos os dias.

Anónimo disse...

obrigada José Luís : )
mais impressionante foi assitir à evolução desta decadência sempre que passava pelo sítio - agora as portas estão fechadas a cimento e tudo o que resta é a fachada anónima de um prédio velho.
(filipa)

the dear Zé disse...

http://www.youtube.com/watch?v=-Vgp1jAabsk&feature=related

e bom fim de semana

Anónimo disse...

the dear Zé, desconfio que o alçapão deste estaminé sobreviveu ao vandalismo. é sempre útil : )
(filipa)